Sociedade Brasileira de Imunologia desaconselha cloroquina para covid-19

A Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) emitiu uma parecer sobre uso de cloroquina para o tratamento de pacientes com covid-19. O documento ressalta que até o momento não existe terapia comprovadamente efetiva para o tratamento do coronavírus e que esse medicamento em questão, tem efeitos colaterais que podem levar a morte de pacientes. Ignorando as evidências científicas, o presidente Jair Bolsonaro faz campanha intensiva do medicamento.

A cloroquina ou hidroxicloroquina são algumas das estratégias terapêuticas que têm sido testadas para tratar a doença. Mas o documento da SBI ressalta que, mesmo que o remédio tenha eficácia comprovada em outras enfermidades, como malária e doenças reumáticas, os fármacos apresentam descrição de efeitos adversos como inflamações da retina ocular, perda de consciência, convulsão, prolongamento QT (que se relaciona com alteração da frequência cardíaca) e toxidade cardíaca, sendo exigido contínuo monitoramento médico dos indivíduos em uso da cloroquina ou hidroxicloroquina.

Em estudo recente com 1.438 pacientes com covid-19, que estavam em 25 hospitais diferentes, foram avaliados quatro tratamentos: hidroxicloroquina e azitromicina, hidroxicloroquina, azitromicina e sem uso desses fármacos. Os pacientes que receberam “hidroxicloroquina e azitromicina apresentaram uma maior incidência de falência cardíaca quando comparado com o grupo sem tratamento”, demonstrou o estudo.

Segundo os cientistas, não houve nenhuma “melhora significativa quanto à mortalidade quando foram avaliados os grupos de pacientes que receberem hidroxicloroquina, azitromicina ou ambos os fármacos em associação em comparação com o grupo sem tratamento”.

Em outro estudo, foram avaliados 1.376 pacientes com coronavírus. Nesse estudo os pacientes foram avaliados quanto a necessidade de intubação orotraqueal e óbito com duas frentes: com ou sem tratamento com hidroxicloroquina. “Esse estudo mostrou que a introdução do tratamento com hidroxicloroquina não foi associada com a diminuição ou aumento do risco de intubação ou óbito quando comparado com os pacientes que não receberam esse fármaco” aponta a Sociedade Brasileira de Imunologia.

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